quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Márcio Nunes Corrêa

É com bastante alegria que abro os trabalhos no blog Quarto de Ronda, começo com algo que há muito vinha acalentando. Uma entrevista muito especial com Márcio Nunes Corrêa!




Sua poesia me acompanha faz algum tempo, ela me soa particularmente próxima em suas cenas de tropeirismo e na forma como ganha vida nas músicas.





“Um naco de sul em vida, de goela aberta na estrada” (Se indo pro campo – Márcio)


Saboreiem comigo essa entrevista.

Fotos do acervo pessoal do poeta.







A poesia tão nossa, nos encanta alimentando as páginas dos livros sendo melodia para a alma com cismas de campo, hoje e sempre.









És natural de onde? Idade?
Erechim, 37 anos










Qual sua relação com o campo, cavalo, com a fronteira(região do prata) ?





Minha terra é nos Campos de Planalto, Alto Uruguai, no Norte do estado do Rio Grande do Sul (Erechim divisando com Passo Fundo).





Fui criado, até ir estudar (fazer Medicina Veterinária), num convívio permanente com o campo...meu avô possuía campo e lidava com gado e meu pai, preparava cavalos para rodeio além de termos um centro de doma. Portanto, o cavalo e o campo, fizeram parte integral e fundamental da minha infância e adolescência.









Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?





Música: Cenair Maicá





Literatura: Aureliano de Figueiredo Pinto





Pessoas: Meus pais e meu avô paterno; e as pessoas de bom coração que conheci e estou sempre conhecendo.





Como começaste sua relação com a música, com a composição?
Comecei a compor ainda adolescente, mas foi em Pelotas (onde vim estudar), que conheci Juarez Machado de Farias (poeta de Piratini), que na época fazia faculdade de Direito e leu meus primeiros versos, me incentivando.




Sempre cantei...desde guri em casa, no campo com meu avô (Dom Pedro Corrêa) e nos acampamentos de rodeios, mas também em Pelotas, distante um pouco das atividades de campo é que me entusiasmei mais a escrever e também cantar. Fiz parte do Coral da UFPel e iniciei minhas participações nos festivais (inicialmente pelo Cirio de Pelotas, na sua 1ª. Edição em 1994).










5)Como conciliar a vida acadêmica com a vida artística e familiar?
Como tudo na vida, trata-se de em cada priorizar o que é necessário ser feito, para ter-se certo equilíbrio na vida...não é fácil, mas necessário exercitar diariamente pois nossa alma também precisa de alento e se não pensarmos nisso endurecemos nosso coração.






O que te incentiva continuar compondo?
Minha vontade de falar do campo e das coisas que penso, pude viver e sei que se não registrarmos, poderá se apagar ou mudar de alguma forma a identidade do que é verdadeiro e puro.





Os sacrifícios que já fizeste pela música?
Eu não chamaria de sacrifícios, pois a música sempre fez e me faz bem...conheci amigos, pessoas e sentimentos que não o teria, não tivesse vivência na música. Atualmente, o tempo é escasso para se manter as mesmas relações rotineiras com a música, mas acompanho meus amigos e parceiros da música, torcendo por eles e, na medida do possível, não deixo de compor...pois isso seria seria um sacrifício. Apenas tomo o cuidado de compor quando tenho algo a dizer e não fazer verso por fazer.

Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música?

Não tenho lembrança de algo nesse sentido...









Inspirações para compor?
Aquilo que entendo por verdade, seja daquilo que vejo na vida e no campo...e que me faça bem. Penso que não precisamos ou devemos compor pensando em agradar ninguém...ou seja, é preciso fazer arte expressando realmente um sentimento...naturalmente algumas pessoas se identificarão com a temática ou com a opinião, ou mesmo serão contrárias mas terão pelo menos ouvido nova verdade ou nova mensagem. Com isso deixo claro que as inspirações/idéias surgem no cotidiano...alguns expressam falando, chorando, desenhando, etc, etc...quem escreve deve se expressar em versos. Claro que há que se ter conteúdo e isso é essência de tudo, passar verdades que são da gente e, como já disse, naturalmente serão de outros...pois afinal, nós seres-humanos somos muito parecidos.










.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial?
T
odos que fiz guardam uma História, portanto, seria injusto eleger alguma...injusto com cada verdade que retratei.






Tem muita música que eu queria ter feito, por admirar a forma que o poeta pode expressar sua opinião, que o melodista conseguiu expor sua musicalidade ou mesmo como o cantor retratou tudo...mas me ocorre uma que resume muito do que eu penso...Imagens, letra do Anomar Danúbio Vieira e melodia do Marcello Caminha.










O que almeja que sua música alcance?





As pessoas...que minhas mensagens fiquem para ser apreciadas, entendidas, criticadas, enfim...que exista principalmente através dos meus versos a possibilidade de falar do campo, como pouco já se fala...sem rebuscar verso, sem distorcer a lida, ou seja, expressar meu sentimento verdadeiro em imagens das coisas do campo.









O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Infelizmente nossa discografia ainda que siga forte, não tem estado tão criativa como em outros tempos...os temas estão se repetindo, versos e melodias de alguma forma também. Gosto de ouvir música de qualidade, que tenha conteúdo poético ou mensagem...e não sou preconceituoso. Mas obviamente nada como ouvir a música feita falando de sul, de lida, de campo....bem cantada e isso temos muito no RS e SC...gente buena se esforçando para manter o padrão de qualidade. Ou seja, para selecionar-se o que agrada ou não o ouvido é preciso ouvir, sentir e depois esboçar opinião, ou seja, o consumo se dará, ou se escutou uma música pela última vez.









Show que foste - livros que têm lido?





Fabrício Vasconcellos e Fabiano Bacchieri (versos e canções)....trabalho terrunho pela escolha do repertório e pela qualidade dos dois.






...os 2 últimos: Memória de minhas putas tristes (Gabriel García Márques) e Mitologia (Histórias de Deuses e Heróis – de Thomas Bulfinch).










Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista gaúcha?
Integração total...nossa música é muito influenciada e felizmente é, pela música gaucha. Temos muito o que aprender com os hermanos mas com certeza ao tempo temos criado uma identidade musical ainda que sob influências (e isso é natural do desenvolvimento cultural de um povo) mas com uma “cara” particular.










) Festivais, primeiro festival composição e parceria?
Primeiro festival...Círio de Pelotas em 1994, com a milonga Fronteiro...em parceria com um colega de faculdade, o Corredale.











.Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais? Festivais fora do RS, festivais fechados?





Não entendo que existam panelas. Como em todo movimento cultural o que existe são afinidades e gostos...que aproximam certas pessoas e afastam algumas outras. Isso existe. Porém, quem critica o faz normalmente porque talvez não tenha amadurecido seu trabalho o suficiente e quando em “concorrência” numa triagem por ex, não tem ainda um trabalho a altura de outros que vivem, estudam e se aprimoram dia-a-dia. Sinceramente, raras vezes, mas muito raras vezes, vi uma grande composição que por anos nunca teve seu espaço...as vezes, por questão de gosto uma ou outra música não premia, por ex, num festival. Mas não podemos atribuir isso a panela, a princípio. Por outro lado, como em tudo, sabemos que o ser-humano é falível...e nesses casos, havendo injustiça premeditada, que estas pessoas sejam acusadas de fato, com provas...porque se por um lado não podemos fazer falsos apontamentos, por outro não podemos deixar que ninguém brinque com o sentimento de ninguém.










7 Fala um pouco da tua experiência nessa trajetória dos festivais? Triagens, premiações?
Felizmente, participei com minhas músicas de praticamente todos os festivais nativistas do estado do RS e também SC. Como são muitos anos enviando trabalhos e compondo, tenho essa felicidade. Quanto a prêmios também tenho a satisfação de ter sido muitas vezes premiado, em conjunto com meus parceiros. Brevemente, lançarei um site em que divulgarei cada prêmio...cada música, festival, etc. (www.marcionunescorrea.com)










.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?





Não. Não acredito. Nossa música em seus ritmos, seus temas, sua linguagem é universal para nosso universo...nosso país é muito grande...são vários países num só. Sinceramente, nem quero pensar que nossa música algum dia alcance esse ponto. Acho impossível. O que entende um brasileiro sem rotina nos nossos campos, com nossa História, bioma, etc ao ouvir a frase?... por ex: - Mal clareia, antes de alçar a perna no meu redomão, percebi que a geada entanguia a várzea, bem mais que na minha melena tordilha.










Fala um pouco da tua experiência como jurado, estás preparado pras críticas, como lidas com elas?





Não tenho experiências como jurado de festivais grandes....mas nos que participei, ache algo natural ou seja, sendo sincero com o que pensamos e sentimos como adequado ou de qualidade, não há problemas. Basta sermos sinceros ao que pensamos. Porém, confesso que ser jurado de festivais é uma tarefa que em nada me atrai.









Quanto a crítica, ninguém gosta de ser criticado, mas precisamos aprender a conviver com elas...ainda que seja difícil.










Como é a sua relação com os outros músicos de SC e RS, Argentina, Uruguai?
Em relação a outros países, não tenho relação pessoal ou de parceria...apenas admiro-os muito. Já no RS e SC conheço muita gente buena...alguns convivo muito pouco, mas sei deles e penso que sabem de mim...pelos meus versos.










Como é pra ti saber que sua música ganha fronteiras além do RS?
Uma alegria sem tamanha...isso fortifica o que falei, ou seja, que a mensagem ganhando estrada, esteja alcançando muitas almas e corações desprendidos.









Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs e com os novos músicos?
Hehehehe. Comigo não existe isso. Apenas recebo o carinho de pessoas que ouvem os versos, uma eventual música que cantei, pois não sou cantor, mas me arrisco... Estou sempre disposto a ajudar, orientar, etc, quem me procura...tenho muito parceiro hoje de destaque (músicos e compositores), que iniciaram fazendo parcerias comigo em palcos e em composições. Portanto, fui ajudado e sempre estarei a disposição para ajudar, dar uma dica, uma orientação para alguém que queira madurar um verso, que é onde me arrisco mais.













Viver de música : utopia ou realidade?
Eu não vivo profissionalmente da música, pois tenho outra atividade profissional. Mas percebo que hoje em dia muitos amigos vivem da música e se dedicando, estudando, etc...têm conseguido projeção. Gosto de frases e uma em especial de uma....”nós somos frutos das nossas escolhas”..., ou seja, uma vez tomada a decisão tem que ter trabalho, acreditar e ir polindo o talento que todos temos, quando se fala em sentimento.










Fala um pouco dessa parceria de tantos anos e tantos frutos com Fabiano Bacchieri?





O Fabiano foi um dos primeiros parceiros a incentivar meu trabalho, na mesma época do Juarez. É do seu caráter, ajudar pessoas. Quando na época do 1º Círio ele foi um dos primeiros a apoiar os meus versos, ou seja, valorizar...isso estimulou-me para que continuasse escrevendo. Ele sempre musicando meus versos e daí em diante naturalmente acabamos nos tornando amigos e parceiros que comungam de uma visão muito similar do que deve ser feito quanto a arte musical sulina. Afora isso, o Fabiano é um dos referencias da música de responsabilidade....tem um culto reto, verdadeiro e apaixonado...mas com a sabedoria, do que deve ser feito. Artista que merece cada vez mais valorização por parte de quem gosta da verdadeira música regional e campeira.










Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...como você elege um festival para ir?
Aualmente, conversando com nossos parceiros e optando por festivais que realmente dêem visibilidade ao nosso trabalho...com CD, transmissão de rádio ou TV, ou seja, que estendam o espaço geográfico para divulgar nossas mensagens.






A melhor coisa do ambiente dos palcos é o convívio entre pessoas que lambem sal no mesmo cocho, ou seja, comungam de similares ideiais em relação a arte e cultura.










Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Fica devendo!....Os festivais são grandes laboratórios de arte...e sempre que se preocupam com qualidade (com escolha de bons jurados, com identidade clara em seus objetivos, etc), tem-se um repertório médio de boa qualidade e, portanto, constituindo um produto realmente de valor. Acho que algumas rádios até buscam divulgar um pouco, mas não percebo avanço em relação ao apoio de gravadoras.










Vamos falar um pouco da tua discografia, fala um pouco das parcerias, gravadora, receptividade do público...Como você lida com a importância que teve o “Se indo pro campo”, tido como um dos melhores discos conceituais nativistas?
Ficamos muito felizes ao ouvir e saber dessa “indicação”. Fizemos o CD com muito carinho na escolha do repertório, produção, arte visual etc. Portanto, nos honra que um trabalho verdadeiro tenha sido compreendido pelas consumidores de música.









Minhas parcerias que até hoje realmente se efetivaram foram as que naturalmente se construíram...até tentei ousar parcerias com alguns grandes compositores, mas elas são aconteceram de fato quando a comunhão de sentimentos se estabeleceu. E isso não se faz por decreto...é anímico, abstrato...mas existe de fato.






A gravadora que nos apoia nesse trabalho e apostou na idéia foi a Gravadora Vertical...grandes parceiros nossos.





Percebemos ao longo dos anos, desde que lançamos o CD Se indo pro Campo, que o mesmo (sem que tenha sido feito com este objetivo), se tornou um marco do nosso trabalho...tanto meu (que era o 1º. CD), como acredito que na carreira do Fabiano também.













A poesia “Esqueçam de mim” é um desabafo? A alma do poeta sofre com mais intensidade a dura realidade?
Surpreendente questão. Acho que sim...é um desabafo sim. Na verdade fala de questões que todos vivemos e expressamos de diferentes maneiras. A minha foi expondo este cotidiano em versos. Ainda hoje, quando vejo algo ser feito, algo que não condiz com a lógica humana (a que tenho comigo), lembro dos versos...ou seja, uso como um tônico...fortificante...e fico feliz de saber que outras pessoas admiram a poesia.






Me lembro quando li a primeira vez (ainda escrita num caderno), para alguns amigos enquanto viajávamos para um festival (eu, Fabrício Vasconcellos, Fabiano Bacchieri, Eduardo Munoz e Silvério Barcellos)...ao final da poesia, todos choravam...










Se indo para bailanta”, fala dele também (parcerias), como nasceu esse CD, o que espera que ele alcance, você gosta de bailes, freqüenta? Fala um pouco da participação do Hélvio Casalinho nesse disco.





Não vou mais a bailanta, por um motivo...elas quase não mais existem. Pensamos em fazer um CD num astral verdadeiro, como sempre, mas diferente do primeiro, ou seja, com temáticas de campo mas não toda de lida...falando do baile, dos amores, das vivências fora do arreio...mas retratando cenas também do cotidiano do homem de campo.






O Hélvio ouviu minha idéia e se agradou, tornando-se parceiro...a partir daí ficamos 1 ano compondo e ajustando versos, mostrando para amigos (que colocavam melodia), e o resultado é que chegamos a um CD de alto astral, campeiro, bailável ou mesmo para ouvir, com uma produção musical belíssima do Negrinho Martins (grande artista brasileiro).
Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
Outra pergunta surpreendente. Sinceramente não tinha pensado nisso ainda. Tomara que a imagem seja do Marcio que sou de fato...Espero que com meu site, consiga interagir mais com as pessoas e saber delas o que elas pensam...pois hoje tenho dificuldade de dimensionar algo para te dar a resposta.














Você trata nas suas poesias muito da temática tropeira, a que você atribui essa identificação?
Meu avô foi tropeiro, peão e capataz de estância. Talvez seja daí, pois fui e me influencio ainda muito pelo o que ele me contava...uma pena não ter gravado entrevistas com ele, pois daria um grande livro falando sobre a lida de campo, mas espero nos meus versos estar contando esta “História dos homens de campo”. Por fim, também porque talvez porque a tropa retrate um pouco do que somos.










Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e volatilidade do mundo de hoje, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Sim...a arte com base sólida, sobrevive ao tempo.













Que times torces, comidas, bebidas?
Grêmio. Esse é meu time de fato e único. Sou bueno de garfo...mas se puder escolher sempre comerei pratos com carne...e gosto de cozinhar também.






Bebida: vinho de todos os pêlos (tinto, branco...)... mas não disparo de uma cerveja...hehehe










O que te faz sentir de alma lavada?
Quando algo justo acontece....algo que tem trabalho por trás, envolvimento, sonhos projetados, mas sobretudo honestidade e valores humanos de fundamento.










O que te faz sentir-se mal?!
O inverso.










Fala um pouquinho da tua vida fora dos palcos?
Sou Médico Veterinário e atuo como professor de Clínica de Ruminantes (bovinos e ovinos), na Faculdade de Veterinária da UFPel. Também desenvolvo atividades de pesquisa nessa mesma área. Meu grupo de trabalho chama-se NUPEEC – Núcleo de Pesquisa, Ensino e Extensão em Pecuária (www.ufpel.edu.br/nupeec) e tenho comigo quase 50 jovens fazendo graduação e pós-graduação...pessoas de muitos sonhos projetados e trabalho duro no dia-a-dia.










Planos pro futuro?
Estar feliz...com minha esposa, filhos que virão e minha família com saúde. Trabalhar cumprindo com minha missão de colaborar na formação de profissionais....e poder escrever sempre o que penso e que deixe alguma mensagem, para pensar, para sonhar, para viver!...










Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Estejam próximos...mandem um chasque, deixe eu descobrir os motivos que nos fizeram ter sentimentos confluentes nas temáticas de campo, de vida e das relações.










Sua relação com a internet?
Em função do meu trabalho...uso muito...e como já disse, agora fiz um site que em breve disponibilizarei para todos amigos e tenho também uma conta no Facebook...com estes dois veículos quero estar próximo daqueles que querem meu ouvir ou precisam ser ouvidos.










www.marcionunescorrea.com













quarta-feira, 30 de março de 2011

Eliana Lima




1. Eliana Lima por Eliana Lima? Poucos e bons amigos. Prioridade é a família. Viagem preferida é para o Sul. Música preferida é a nativista, que faz pensar. Eventos culturais como teatro, festival de música, palestras sobre história, apresentações musicais de qualidade. Livros sobre história regional, história brasileira, romances ambientados no sul do Brasil, lendas e causos serranos. Fazenda da Ferradura nos finais de semana. Prestigiar o que é nosso. Ainda acredito que a educação pode transformar a sociedade. E procuro fazer minha parte.

2. Como é ser filha do Tio Beja, você leva tranquilamente a responsabilidade de seguir as boas referências do seu pai? Digo tomou pra si essa responsabilidade? É uma honra. E me sinto realizada por não estar imitando meu pai, mas sim aplicando aquilo que ele me ensinou a vida inteira, através de ações e exemplos. Ambos trazemos este sentimento de responsabilidade de compartilhar o que sabemos, de agir quando temos condições e deixar o mundo melhor do que o encontramos. São épocas diferentes, mas me parece que as lidas são as mesmas. E como estamos sempre em família, minha realização estará completa se um dia meus filhos mostrarem a mesma inquietação diante da ignorância e a mesma vontade de colocar mãos à obra e compartilhar o que sabem em prol da sociedade em que estiverem inseridos. A preservação do ambiente, da história, das origens, dos valores, é a nossa satisfação.


3.Como nasceu o Corredor de Canto e Poesia? O Corredor de Canto e Poesia foi idealizado por um grupo de amigos, Cassiano Eduardo Pinto, Giancarlo Orsoletta e Ramiro Amorim, a partir de festivais que já aconteciam no Rio Grande do Sul, nestes moldes, como o Festival da Barranca. Como a ideia é fazer uma oficina de criação musical, onde se escolhe um tema e se tem um tempo limitado para desenvolver e apresentar, o ideal era que o encontro fosse realizado numa fazenda. Aí, a convite destes amigos, o Tio Beja passou a fazer parte do grupo, oferecendo a estrutura da Fazenda da Ferradura, onde por cinco anos a família sempre teve orgulho em receber e ver crescer e aflorar a cultura , unindo gerações em torno da música nativista. Hoje a Associação Corredor Cultural Nativista é responsável pela manutenção do festival, que desde 2006 vem acontecendo na Fazenda Santo Antonio, da família Zago. E considero este movimento importantíssimo, um marco no desenvolvimento qualitativo da música serrana. Podemos dizer que hoje nossa música tem uma identidade própria. Sem contar a oportunidade de aprendizado e crescimento profissional na área musical, dando a oportunidade a nossos jovens músicos de participarem como iguais nos maiores festivais nativistas do sul do Brasil.


4.Você poderia comentar um pouco sobre a trajetória das comemorações farroupilhas em Lages, o que você lembra e quando você começou a participar ativamente e depois como coordenadora. Eu lembro de quando era criança, às vezes via na praça algo como um acampamento, pessoas chimarreando, discursos falando da Revolução Farroupilha. Às vezes um grupo ia a cavalo buscar a chama crioula na divisa com o Rio Grande, traziam para a praça, faziam a guarda do fogo. Não lembro que houvesse baile por esse motivo. Anos mais tarde lembro que havia divisão: um CTG fazia algum evento farroupilha, o outro fazia em outro local, mas não como parceiros, e sim como rivais. A comunidade passava torcendo o nariz, sabendo sim do que se tratava, mas em sua ignorância achando tudo uma "grossura".O que lembro de mais negativo foi um ano em que um grupo preparou uma comemoração na rua Correia Pinto, em frente ao Clube 14 e outro grupo comemorou no calçadão, fazendo questão de mostrar que eram comemorações separadas. Pra quê? Acho que foi por essa época que tudo acabou, pelo menos publicamente, a partir daí quando havia alguma comemoração era interna em cada associação, CTG ou entidade, pois as pessoas que conheciam a história sempre procuravam fazer alguma coisa para lembrar. Acompanhei alguns eventos em outras cidades, grandes desfiles de rua, grandes bailes, grandes cavalgadas. Sempre admirei esse respeito que os gaúchos tem por sua história e por seus heróis, mas por gostar de ler e pesquisar, cada vez mais fui ficando indignada com o fato de nós, catarinenses, desconhecermos nossa história, nossos heróis. Então em 2006 um amigo, Ronald Aquino, professor na Uniplac, resolveu fazer no Centro Acadêmico um evento que comemorasse o dia do Gaúcho, 20 de setembro. Convidou o Leduvino Ramos, o Aldo Ramos Martins Neto e eu para darmos uns palpites e ajudá-lo na empreitada. Gostamos tanto que no ano seguinte e no outro estávamos lá de novo, ampliando a programação, reunindo amigos, contando a história, levando para diversos pontos da cidade os artistas, os palestrantes, os voluntários, o chimarrão, as bandeiras, o orgulho de sermos serranos, de termos uma heroína do quilate de Anita Garibaldi, de termos nossos ancestrais lutando como farrapos ou como imperiais, defendendo cada um seu ideal de liberdade, de termos episódios que passaram para a posteridade, como a batalha do Passo Santa Vitória, da identidade lageana dos Bois de Botas e tantas outras histórias. A última edição, em 2010, reforçou a idéia de que a Revolução Farroupilha em Lages é uma história de todos, não só dos tradicionalistas. É uma crença comum entre mim, o seu Leduvino e a Giórgia Bianchini Vaz, que veio agregar sua experiência, de que precisamos contar essa história ao maior número de pessoas possível, principalmente à nova geração. Ninguém gosta do que não conhece. Tivemos a satisfação de contar com o apoio incondicional do poder público e de diversas entidades que confiaram em nós e na finalidade do evento apoiando e fazendo parcerias. E foi maravilhosa a participação dos cavaleiros no evento de abertura, no Parque de Exposições. Entrou pra história!


5.Fala um pouco sobre o Conselho Municipal de Cultura em Lages. Aqui temos um grande incentivador da cultura regional, que é o Gilson Máximo de Oliveira, que desde o início levantou a bandeira, estudou, pesquisou, formalizou tudo de acordo com as orientações do MINC e a parceria da Fundação Cultural de Lages. Não podemos exigir que esses primeiros conselheiros eleitos tenham todas as soluções para a falta de apoio e de conhecimento cultural do município, mas podemos pelo menos torcer que acima de interesses particulares consigam enxergar um futuro de união entre os diversos setores e principalmente, buscar projetos que tenham alcance sobre toda comunidade, visando a educação e o desenvolvimento cultural.


6.Projetos para a comemoração farroupilha desse ano? Tenho a felicidade de informar que a comissão organizadora continua disposta a enfrentar esta maratona que é organizar um evento educativo e cultural para a comunidade e que já estamos sendo abordados por diversas pessoas, nos cobrando a continuidade da ação. Isso é muito gratificante. Assim como é gratificante ver todos os nossos CTG's unidos num mesmo evento. Claro que já temos um projeto, que tende a crescer ano a ano para que seja sustentável, formando um público consciente e trazendo crescimento cultural, educacional, econômico e turístico, por que não? E me parece que já podemos contar com nossos apoiadores de sempre. É só aguardar o lançamento da programação, que vem com inovações, como o desafio aos CTG's de mostrar suas habilidades artísticas de maneira diferente daquela apresentada nas competições de rodeios, porque apesar de a história pertencer a todos, ainda são os CTG's os seus guardiões e estão aptos a ensiná-la de forma lúdica. Assim como a Via Gastronômica ensinou a história através da culinária em 2010. Aguardar e participar!

7. Como você vê o cenário musical na serra catarinense, a sapecada da canção e da serra, as novidades no regulmento esse ano, inscrições online, as músicas disponíveis no site, a ida da sapecada da serra para domingo. Como falei antes, vejo o Corredor de Canto e Poesia como o grande incentivador e fomentador do crescimento musical da serra, aliado ao grande desafio que é chegar ao palco da Sapecada. Surgiram outros festivais na região como a Nevada da Canção, a Sesteada da Canção, a Ronda da Canção... É um orgulho ter músicos lageanos competindo de igual pra igual num festival desse nível. Falar em nível, é falar do mérito das dezenas de voluntários que ano a ano ajudam a recepcionar, organizar e realizar em conjunto com a Prefeitura Municipal um dos festivais mais bem conceituados no sul do Brasil, desde a premiação até a hospitalidade. A tradição não exclui a tecnologia, pelo contrário, ela é um instrumento importante de divulgação e comunicação. Devemos saber de onde viemos e conhecer o caminho moderno que nos leva ao futuro, permitindo perpetuar aquilo que admiramos. Já tivemos um embate alguns anos atrás quando mudaram a Sapecada para domingo, segunda e terça, ao invés de sexta, sábado e domingo, então alguns vão espernear de novo por causa dessa mudança, mas eu e minha família e muitas pessoas que conheço vão à Festa do Pinhão somente nos dias da Sapecada, que é o que realmente traz cultura. Independente do dia da semana.


8. Roteiro turístico caminho das tropas fala um pouco pra nós como funciona e contatos. Hoje funciona só por teimosia da iniciativa privada. Operadores de turismo e fazendeiros que concordam em melhorar a estrutura de suas sedes para receber turistas do mundo todo. Ainda não temos estradas, placas indicativas, guias especializados, pontos turísticos bem equipados, informações turísticas eficientes. De uns 20 anos pra cá, pessoas como Laélio Bianchini e Robério Bianchini viram o potencial turístico da Coxilha Rica e o potencial histórico do Corredor das Tropas e vem trazendo turistas (a cavalo, porque de carro é só pra passar vergonha) do Brasil e da Europa para passar dias cavalgando entre campos e fazendas históricas, aprendendo sobre a história da região, coisa que muitos de nós não conhecemos e estamos aqui, bem pertinho. Algumas vezes com apoio dos órgãos municipais, outras sem apoio nenhum. Mas essa questão de divulgar nossa história através de eventos como a Semana Farroupilha, o Rodeio da Integração Crioula ou mesmo as músicas da Sapecada, vem despertando projetos que logo, logo sairão do papel e trarão turismo e desenvolvimento econômico às comunidades rurais. As pessoas tem que conhecer a história de seus antepassados para poder admirá-la e contá-la aos visitantes. E em outros idiomas. Há muita propaganda em torno da Coxilha Rica, porém, os turistas chegam e encontram o que? Cadê a estrutura de recepção, de roteiro, de visitas guiadas, de vendas de produtos regionais, de apresentação artística cultural e regional? Mas quem duvida do que estou dizendo, pode acessar www.gauchodobrasil.com e www.coxilharica.com.br

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Aluísio Rockembach

1.És natural de onde? Idade?
Sou natural de Pelotas, tenho 30 anos.


2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade?
Minha vida inteira foi relacionada ao campo, jamais deixarei de observar,viver e aprender com tudo que o cerca, mas procuro salientar sempre que minha arte é a música, é essa minha profissão!

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Música- Raul Barboza. .Literatura- tudo que tenha ligação com música. Pessoas- Meus Pais.


4. O que te fez escolher a música?
Penso que foi ela que me escolheu!

5. Como começaste sua relação com a música, com a composição, a gaita foi sua primeira opção de instrumento, a inclinação para a música é de família? Tudo começou quando meu irmão Sandro Rockembach ganhou um acordeon do nosso avô Breno Rommel(in memorian) que queria ver ao menos um neto tocar o instrumento pelo qual era encantado.Então meu irmão começou a fazer algumas aulas e aprendeu a tocar, mas em seguida interessou-se pelo violão e pelo canto deixando o acordeon um pouco de lado...Foi quando abracei a “gaitinha piano”com aproximadamente 13 anos, e digo com muita sinceridade que não tive escolha, pois ela também me abraçou!

6.O que te incentiva continuar?
O respeito e o carinho do público com meu trabalho.

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Procuro pisar firme, um passo de cada vez...daqui a algum tempo quero ter aumentado a distância.

8.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?É mais fácil compor a música sem a letra ou vice-versa, e quando a música está pronta é tranqüilo adaptar a letra ou é melhor fazer outra música para essa letra?
Não tenho dia nem hora para compor, a música pra mim tem que vir ao natural, se fazendo presente a qualquer momento...Costumo compor só depois que tenho a poesia em mãos.

9.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial?
Não, todas as músicas que componho tem um significado próprio, portanto por cada uma tem um carinho diferente e especial.

10.O que almeja que sua música alcance?
É ela quem decide!!!

11.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Procuro ouvir vários gêneros, tento entender e aprender com tudo...A música é uma viagem, tenho embarcado com Daniel Mille, Fito Paez, Cidadão Quem, Cold Play, Jason Mraz, Piazzolla, Jorge Nasser,Vitor Ramil, entre outros.

12.Show que foste - livros que têm lido?
Fui num show do Pouca Vogal formado por Duca Leindecker e Humberto Gessinger, muito bom, “diferente”. Também tive a oportunidade de assistir ao espetáculo de Raul Barboza e entregar pessoalmente o disco Santa Flor, no qual faço uma homenagem a ele que para mim é o máximo do chamamé.Tenho lido muitos livros de culinária, adoro improvisar na cozinha...(risos)

13.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista? E fala um pouco da tua intimidade com essa música?
Muito presente mas pouco compreendida.Tento me aproximar cada vez mais, é através do chamamé que consigo expressar-me na maioria das vezes,é uma busca constante!

14.Apresentar-se em teatro é diferente de um lonão ou um galpão, explica as sensações de apresentar-se em lugares tão diferentes?
Procuro fechar os olhos e deixar acontecer...”Quem faz o lugar é o público”.

15.Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais?
Encaro ele aberto, democrático e paneleiro...vai depender da comissão organizadora e da escolha dos jurados.

16.Como consegue conciliar a agenda de apresentação com o Marenco e a carreira solo e a vida particular?
É difícil, as vezes preciso de outro profissional para me substituir nas apresentações com o Marenco.Minha vida particular é tranqüila, minha família compreende que a profissão de músico é sem rotina e bastante corrida.

17.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Nossa cultura é muito forte, com muitas particularidades, acho difícil o resto do país entender sem aprofundar-se.

18.Como vê a renovação da cultura?
Confusa.

19.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?

Esta aí uma bela idéia, um incentivo a mais para a música e para os músicos, “um encontro para criação da poesia oculta que existe na música instrumental”, maravilha!

20. Como nasceu “Santa Flor”, quem fez a arte do CD (belíssima por sinal) entre tantas fotos como escolher aquelas, entre tantas músicas por que aquelas foram eleitas? Santa Flor veio até mim através de um pássaro,mais precisamente um beija-flor, que insistia em pairar sobre uma flor sempre que eu tocava meu acordeon na cozinha da chácara da minha família, então percebi que ele precisava das flores não somente para completar a beleza do momento, mas para sua vida inteira. Desta maneira nasceu Santa Flor, um trabalho com todo espírito e carinho dos amigos, músicos e da minha família, pessoas que quero e preciso para minha vida inteira. A arte foi criada pela designer Margareth Kohlz, uma pessoa de muita sensibilidade. As fotos foram feitas depois do disco estar gravado com a idéia de ilustrar algumas músicas. Os temas do disco foram eleitos porque procuro observar tudo e todos quando componho, cada detalhe tento transformar em música e entregar para as pessoas.

21.Como é para ti saber que sua música ganha fronteiras além de RS, como é ver seu trabalho sendo reconhecido por colegas, críticos e pelo público?
É muito gratificante saber que a música tem o poder de ganhar o mundo e fazer parte da vida das pessoas.

22.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
Quando estou tocando!

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Acho pequena perto da grandeza que é a música regional.

23.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
De muita sinceridade e transparência,sou o mesmo em cima do palco e fora dele!

24.Que times torces, comidas, bebidas?
Coloradooo, “Todas que tenham bastante tempero”,Cerveja,de preferência “Abadessa”.

25.O que te faz sentir de alma lavada?
Orar.

26.O que te faz sentir-se mal?!
Injustiça.

27.Fala um pouquinho da tua vida paralela à artística?!
Estou no último semestre do curso de Produção Fonográfica na Ucpel, quando sobra um tempo entre a faculdade e a música, gosto de praticar esportes como correr,nadar,surfar e jogar futebol.

28. Como é essa convivência com o Marenco de tantos anos, tanto tempo juntos na estrada?
O Marenco é um amigo que virou irmão! Onde acima de tudo prevalece o respeito,confiança e admiração.

29.Sua relação com a internet?
Sem muita intimidade,somente o necessário.

30.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ? Não vejo, tenho tempo pra isso, procuro não olhar para os lados pra não perder a direção!

31. Santo de casa faz milagre? Não.

32. Planos pro futuro? Seguir plantando!

33. Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Obrigado por todo carinho e confiança, vocês são o sentido real da minha música... Cristo Vive.


Todas as fotos são do site:
www.aluisiorockembach.com
Créditos: Alisson Assumpção

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fabiano Bacchieri

1. És natural de onde, idade?

Sou Natural de Canguçu, RS nascido em 8 de outubro de 1966 – 43 anos.


2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade grande?
Durante muito tempo convivi diretamente com a meio rural, trabalhei por muito tempo com cavalos (basicamente na doma) e sempre mantive relação estreita com o campo. Hoje estou indiretamente ligado, não atuo profissionalmente na área mas ainda convivo muito com gente de campo. Não gosto da cidade.

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Na Música fui profundamente influenciado por Noel Guarani, hoje são vários os nomes...na literatura gosto de tudo relacionado à história Rio-grandense e a poesia gaucha de uma maneira geral; um livro que me marcou muito se chama Tacuruses, de Serafin J Garcia, que ganhei de presente do Marenco.

No l'importe, m'hija, qu'el pago mermure
y ensucén su nombre los que la cren mala.
¡Más piores son esas que matan sus crías
pa poder asina seguir siendo honradas!

Cuando nasca su hijo, ¡que lo sepan tuitos!:
¡mamará en sus pechos, dormirá en su falda;
será su cachorro nomás, ande quiera,
pues ser madre, m'hija, no es nunca una falta!

Quanto às pessoas...todas aquelas que me ajudaram a clarear a idéia e a solidificar minha ideologia.

4.Como começaste sua relação com a música, com a composição?
Comecei a tocar violão em São Lourenço do Sul com 11 anos...mas entrei no meio musical gaúcho com 16, no tempo dos primeiros festivais, quando a música gaúcha ainda era pouco divulgada (não que hoje seja muito...) junto com o Joca o Negrinho o Fernando fundamos o grupo Ontonte e fomos tentiando os festivais...demorou...mas deu certo. Todos eles hoje são artistas renomados no nosso cenário musical.

5.O que te fez escolher a música/ poesia nativista?
Complicado responder...na verdade não sei...veio ao natural, talvez pelo meio em que vivi.

6.O que te incentiva continuar compondo?
Gosto de fazer isso, me agrada que a nossa música esteja crescendo e sendo valorizada. Acho que isso é o que mais me incentiva, ver a música gaúcha crescer!

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Mesma coisa...não tenho visões futurísticas, vivo o presente.

8.Os sacrifícios que já fizeste pela música/poesia?
Sacrifício nenhum...faço com muito prazer.

9.Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música/poesia?
Na verdade não...acho que o que estou fazendo é o que posso e o que minhas limitações permitem.

10.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?
Não...componho somente quando a letra me obriga a compor, não consigo fazer música encomendada...se não me agrada muito não sai nada, em compensação se me agrada, faço no instante que recebo, em qualquer lugar...

11.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial? Quantos e quais CDs já lançados?
Sim, Funeral de Coxilha do Serginho e do Marenco eu queria ter feito...que baita obra!

Tenho carinho por todas que fiz, mas uma das últimas, “Não era prá ser”, que não pude ir defender no Reponte e o Lisandro “matou a pau”, me arrepia até hoje, acho que por ter sido um fato acontecido com minha filha quando tinha 1 ano e pouco...não sei direito mas é especial demais; letra do Márcio e do Helvinho que fizeram quando contei o episódio. E o presente do Gujo e do Camargo “Os olhos do meu cavalo"... bhá muito boa! (as duas estão no Saludo).


São 4 trabalhos, “Mais pampa...menos povo” foi o primeiro, depois veio o “Marca” (ao vivo) depois, junto com o Márcio Corrêa, fizemos “Se indo pro campo” e agora “Saludo

12.O que almeja que sua música/poesia alcance?
Gostaria que ela fosse mais escutada, tenho muito cuidado em escolher o que canto e normalmente são composições mais introspectivas isso dificulta um pouco, mas acho que devagar ela vai alcançando o seu espaço.

13.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Pouca coisa...acompanho o trabalho dos amigos e não dispenso o folclore nunca...ultimamente Amalia de La Veja...bueníssima!!!

14.Show que foste - livros que têm lido?
Bhá....Show tá difícil de ir...normalmente só assisto os do Joca! Li nas últimas viagens todos do Dan Brown, me agradei!

15.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista? E fala um pouco da tua intimidade com essa música ?
Vejo altamente positiva para consolidar a música Rio-grandense, precisamos desse embasamento e da riqueza poética e musical para, como vem acontecendo, cada vez mais elevarmos o nível poético-musical da nossa região. O Rio Grande hoje possui sua própria linguagem e bate de frente com os países vizinhos, somos fruto de uma miscigenação e absorvemos tudo o que fala das nossas coisas, assim se deu com o chamamé, a milonga e certamente acontecerá com outros ritmos. Hoje existe o chamamé gaúcho, a milonga Rio-grandense, é a nossa maneira de tocar esses ritmos, isso deve ser respeitado e valorizado.

16.Conciliar carreira de poeta/músico com outra carreira?
Hoje, impossível.

17. Como foi tomar a decisão de deixar outro trabalho e fazer parte do grupo do Joca Martins, está gostando, fala um pouco da nova fase? Dá para conciliar shows e festivais?
Foi tranqüilo, estou gostando muito e a “Família Chucro Ofício” é especial!

O Joca conduz a sua carreira com muito cuidado e seriedade e isso nos dá segurança e credibilidade perante o público.

Quanto aos festivais, não é muito fácil...tem que se quadrar muita coisa...sorte de cair um show no festival e um do grupo ser jurado...ai dá prá tentar mandar música e ir, fora isso fica muito difícil. Não dá pra se compromissar com uma música e chegar uma semana antes e aparecer um show, este é o meu trabalho e vem em primeiro lugar, o festival depende de muita coisa mas sempre que posso vou, gosto muito do encontro, de compartilhar outras coisas, do assado no domingo, de ver a obra dos colegas, de ver o público vibrando com a música gaúcha!

18. Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais? Premiações e ajudas de custo?
Não me incomodo com isso...Ajuda de custo o nome já diz...não precisa explicar, o problema é viver de festivais...ai tu tem que ir e ganhar se não, fica complicado.

Premiação é bom sempre...além dos pilas ela te impulsiona na mídia.

Quanto às “panelas”...se eu componho contigo, certamente é porque gosto da maneira que tu escreve, correto? Muito bem se tu manda uma letra para um festival que sou jurado ela certamente vai cair no meu gosto e poderá passar em uma triagem...isso é lógica. Não podemos confundir panela com gosto. Não mando música para festivais onde os jurados tem uma preferência musical muito distinta da minha...não vou passar nunca...e não posso dizer que é panela. É simples.

19.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Ué...já está acontecendo isso, Santa Catarina é um exemplo vivo e constante, não só consome como produz música regional, Paraná é outro, temos muitos shows por lá...isso vai acontecer na medida em que a nossa música for exposta, ela tem qualidade e respaldo para alcançar muita coisa, precisamos de tempo para que as pessoas conheçam mais...por exemplo: se chega a dar um “acauso” em que uma música de boa qualidade caia num rede de emissora nacional como, por exemplo, tema de um determinado personagem de uma mini-série ou novela ou sei lá o que...pode escrever que a coisa vai andar diferente. O que não pode é acontecer isso com uma música de baixa qualidade...ai se foi a gata com a cinta.

20.Quais festivais para ti foram mais especiais, qual ainda quer participar?
Acho que o Reponte e o Martim Feirão foram especiais pra mim....ainda quero participar de vários... Me agrado muito da Sapecada em Lages...na verdade quero ir a muitos!

21.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?
Acho muito bom...é um laboratório, normalmente saem composições de fundamento nestes eventos. Festival de música instrumental é valido sim...seria uma maneira de impulsionar a musica instrumental, ela é riquíssima no estado e tem pouco alcance.
22.Como é a sua relação com os outros músicos de SC e RS?
Olha...não posso me queixar, consegui uma coisa que prá mim é muito importante, não tenho nenhuma relação ruim com nenhum músico, convivo, respeito todos e sinto que isso é recíproco. Me considero hoje como um músico que pode transitar livremente por qualquer lugar e sei que serei bem recebido.

23.Como é para ti saber que sua música ganha fronteiras além do RS?
Muito gratificante...

24.Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs? O que mudou nesses últimos 5anos (data da entrevista anterior)?
Segue o mesmo baile!!! Bem mais conhecido hoje pelo trabalho que venho desenvolvendo com o Joca. Quanto ao “assédio”, tento tratar todos com o maior carinho possível, acho isso fundamental, e nunca tive problemas em relação a isso, sei separar as coisas...

25.Viver de música : utopia ou realidade?
Para mim...Realidade! 26.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
Certamente o contato com as outras pessoas.

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Infelizmente fraca. Gravadoras nem comento....os festivais ficam limitados pois não comercializam os discos, e as rádios...as que tem alcance não dão a mínima...as pequenas ajudam...mas de uma maneira geral....fraquíssimo!

29.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
É com o que mais me preocupo...mas penso que estou no caminho certo.

30.A ânsia andarilha faz parte desse mundo festivaleiro, que pensas sobre isso; estar sempre na estrada? Como fica o coração nesse caminho? A família? Os filhos já andam se aventurando no mundo artístico também?
Essa é a parte braba da coisa, sou muito caseiro e pouco andarilho...corpo na estrada e coração nas casa...isso me judia um pouco mas tem suas compensações...acredito que se não estivesse com pessoas muito especiais já tinha repunado o caldo!

A gurizada ta indo devagar...o Vinicius é muito musical...já toca um pouco de baixo e violão, o Felipe é consumidor ávido, 24 horas escutando alguma música, já ta cantando alguma coisa é do tipo que não vive sem música gaúcha. E a Helena no que fizer vai dar certo, canta, dança, toca...mas não forcejo muito...eles estão indo com as próprias pernas, apenas disponibilizo o material.

31.Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e volatilidade do mundo de hoje, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Sem dúvida!

33.Que times torces, comidas, bebidas?
Bãi...futebol não é comigo...não sei absolutamente nada...não gosto mesmo, parece que vai ter copa do mundo por agora...

Prá comer, carne, carne e um pouquinho de carne. (sou carnívoro ao extremo... é difícil me pegar com arroz e feijão passo tranquilamente 3 dias comendo só carne).

Bebida...canha temperada me agrada...cerveja tomo mas não sou muito fã, vinho quanto mais barato mais eu gosto...não sei tomar vinho, os que me dizem que são bom eu não gosto...e os que me dizem que são ruins eu normalmente gosto mais...sei lá...)

34.O que te faz sentir de alma lavada?
Hoje...sustentar a minha família com a música gaúcha!

35.O que te faz sentir-se mal?!
Discussões e brigas por motivos fúteis. (normalmente a culpa é minha)

36.Fala um pouquinho da tua vida fora dos palcos?
Casa! Adoro a minha casa e a minha família..., trabalho bastante com arte gráfica e computação, adoro juntar os amigos prá uma bóia, o Felipe tem a égua dele aqui pertinho...seguido to me aventurando na lagoa com um barquinho a vela, eu e a patroa, sou meio aquático, gosto de tudo relacionado a água, tanto que quando sai de fora morei na cidade por dois anos e disparei pro Laranjal, uma mistura de praia com cidade do interior e campo ao mesmo tempo...,muito bom!

37.Planos pro futuro?
Nenhum...só penso em viver a minha vida...não gosto de planejar nada...sou o dia de hoje não o de amanhã.

38.Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Gracias! Espero continuar mantendo essa admiração por muito tempo!

39.Sua relação com a internet?
hoje não me imagino sem ela...

40.Acreditas na federalização do estados brasileiros?
Olha...isso é meio complicado, teria que fazer um estudo muito complexo para dirigir uma opinião mais concreta, mas talvez fosse melhor...

41.Pra ti como é encarar as grandes polêmicas que assolam o nativismo, as disputas de poder, as rixas nos Ctgs, discussão do que é bom e do que é ruim e como avalia a nova geração de músicos e compositores que vêm por aí?
Já entrei em muita rusga neste cenário...e a coisa parou onde eu achei que ia parar...o que não tem raiz qualquer vento fraco derruba...as vezes acho que dão muita importância pra pouca coisa e nenhuma importância pra o que tem que dar...só acho que tem muito entendedor que não entende é nada....estão no meio só pelo status...ai é brabo, mas há muito que não esquento a minha cabeça com essas picuinhas...quanto aos músicos, melhoraram sensivelmente em pouco tempo, hoje temos um lote de excelentes músicos e intérpretes nos festivais e grupos....quanto aos poetas a coisa é diferente...no meu entender a música ultrapassou a poesia léguas de distância...precisamos de gente que escreva com fundamento, não que não tenha, mas tem pouco...hoje o índio pega uma caneta e sai mandando letra prá tudo o que é lado, não é assim...

42.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ?
Acho que a nossa música tá fora dessa peleia...

43. Fala um pouco da tua experiência como jurado, e da triagem aberta?
Já tenho alguma experiência em júri de festival, Reponte, Martim Fierro...bueno, sempre é complicado pois tu ta julgando arte, então sigo o meu gosto...a que eu gostar mais quero que ganhe, só isso. Quanto à triagem aberta, é bom pelo lado de quebrar aquela idéia de que “nem escutam as músicas”, “só vai passar o fulano e o beltrano...” fiz a triagem da Sapecada e conclui que perdemos a metade do tempo escutando trabalhos que eu não escutaria...por exemplo, se pego uma letra que tenha um erro grave ou uma barbaridade qualquer...pode ser a 5ª sinfonia de Bethovem que não vai passar e não adianta, ai tu escuta e todos chegam a mesma conclusão que eu já cheguei antes de escutar...”é não dá mesmo!”



Gracias!!!

http://www.fabianobacchieri.com/

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Guilherme Collares

Bageense, Mestre Veterinário, cantor, compositor, amadrinhador, poeta, professor, etc etc...

É assim Guilherme Collares, multifacetado que hoje vive a sala de aula e no sentido literal da palavra "mestre", contribui mais ainda com o conhecimento, a arte e a cultura. Acompanhem e conheçam um pouco mais desse ser ímpar fronteiriço.

As fotos postadas aqui foram pegas nos álbuns do orkut de Edinho Bergamo e pescadas nas páginas do google. Esta ao acima é do disco Recuerdos lançado em 2008(produção fotográfica de Alexandre Teixeira), parceria de Guilherme Collares e Edinho Bergamo, pela gravadora Vertical. Na minha humilde opinião um dos melhores Cds do ano, sem dúvida.

1.És natural de onde? Idade?
Bagé, RS. Tenho 36 anos.Lançamento CD no Galpão Nativo.

2.Qual sua relação com o campo, cavalo e a cidade grande?
Me criei na campanha. Minha família tem propriedade rural.

3.Suas referências e influências de vida (música, literatura, pessoas)?
Minhas referências na música são Los Cantores de Quilla Huasi, Los Indios Tacunau (Argentina); Los Olimareños, Santiago Chalar e Alfredo Zitarroza (Uruguay); Noel Guarany e Jaime Caetano Braun (RS); Ruben Blades (Panamá); Paco de Lucia (Espanha).
Na poesia, Osíris Rodriguez Castillos, Yamandu Rodriguez, Serafin J. Garcia, Romildo Risso (Uruguay); Olavo Bilac, Lobo da Costa, Augusto dos Anjos e Castro Alves (Brasil); Fernando Pessoa (Portugal); Aureliano de Figueiredo Pinto, Jaime Caetano Braun, Apparício Silva Rillo, Vargas Neto (RS)
Na prosa, Eça de Queirós, Émile Zolá, Sir Arthur Conan Doyle, Érico Veríssimo.
Lançamento do CD no Galpão Crioulo

4.Como começaste sua relação com a música, com a composição?
Comecei a tocar com cerca de 13 anos de idade e a compor com 17 anos. Minhas influências sempre foram o campo e o folklore pampeano.

5.O que te fez escolher a música/ poesia nativista?
Minha origem.

6.O que te incentiva continuar?
Na realidade, muito poucas coisas incentivam... ocorre exatamente o contrário, o desestímulo. A vaidade desmedida, a falta de compromisso com a verdade e o mercantilismo da arte.

7.Como te imaginas daqui a algum tempo dentro cenário musical?
Não faço a menor idéia. Gostaria apenas que meu trabalho fosse lembrado como uma expressão de verdade de meu tempo.

8.Os sacrifícios que já fizeste pela música?
Na verdade muito poucos. Música tem sido um complemento para a alma. Não cheguei a sacrificar nada por ela. Apenas tenho ganho: amigos, parceiros e satisfação para a alma.

9.Te arrependes de ter feito algo ou não ter feito pela música?
Não me arrependo de nada. Sempre penso por muito tempo antes de tomar qualquer decisão em minha vida.

10.Inspirações para compor? Tens algum ritual que te ajuda a compor?
Não. É um processo quase que independente e alheo à minha vontade.

11.Tem alguma música que gostaria de ter feito e não fez, e o que fizeste e tens um carinho especial?
Uma música que gostaria de ter feito: O Laçador de Barro.
As músicas que fiz (no caso as letras), em parceria com Edilberto Bérgamo (melodias), pelas quais tenho mais carinho e refletem muito do que sou, são REMANSO e RECUERDO.

12.O que almeja que sua música alcance?
Nada. Apenas que seja reconhecida com uma pequena expressão de verdade de meu tempo.

13.O que tem ouvido mais nos últimos tempos?
Folklore Argentino e Uruguayo e Sul-Americano (24 horas por dia). Quando afrouxa um pouco o Folklore, escuto Ruben Blades, Paco de Lucia, Adrés Segovia e Raphael Rabello

14.Show que foste - livros que têm lido?
Um show que marcou minha vida foi o de Los Indios Tacunau, que assisti em Durazno (Uruguay), em 1996.
Tenho lido ultimamente os realistas: a obra completa de Eça de Queirós, Émile Zolá, Aluísio de Azevedo.

15.Como vês a influência da música da região do Prata na música nativista? E fala um pouco da tua intimidade com essa música, é natural para ti compor em espanhol?
A interferência da música do Prata na nossa música é praticamente total. Apenas algumas ilhas de folklore português subsistem ainda em nossa música, como a Chimarrita. O resto é todo aporte Platino.
O idioma espanhol, para mim, é tão língua-mãe como o português. Compor parece ser bem mais fácil em espanhol do que em português.

16.Festivais, primeiro festival composição e parceria?
Vertente de Piratini, ano de 1993, DE ESTÂNCIA E SAUDADE, parceria com Zulmar Benitez.

17.Como encaras esse meio ao mesmo tempo aberto, democrático, mas também bastante criticado por certa impressão de “panelas” dos festivais?
Estou totalmente à parte do meio dos festivais. Quando passa alguma música minha ou de um parceiro da qual eu goste, eu vou e toco. Não me envolvo em nenhum tipo de discussão sobre esse assunto.

18.Fala um pouco da tua experiência nessa trajetória dos festivais? Triagens, premiações, e como avalia a tua participação nos festivais que estão iniciando sua estrada, as vezes sem ajuda de custo, outras sem premiação enfim...? Festivais de poesia?! Como poeta e amadrinhador.
Olha, como disse antes. Quando passa alguma coisa minha ou de parceiro da qual eu goste, eu vou e toco. Procuro não julgar mais festivais de música. Os festivais de poesia estão muito escassos. E quanto a festivais com ajuda de custo muito baixo, é difícil a gente participar, pois não se pode investir plenamente nas músicas. Isso é um problema, visto que muita gente ainda nos taxa de merenários.

19.Vencer o bairrismo é algo que inevitavelmente, acontecerá...ou achas que não existe essa diferenciação de estados? Acreditas que algum dia a música mais trabalhada (gaúcha/nativista) alcance um respaldo maior dentro do cenário musical brasileiro?
Não acredito, pois acho que somos diferentes mesmo do resto do país. E, infelizmente, me parece que o restante do país não gosta mesmo de nós, com exceção de Santa Catarina (que julgo igual a nós) e o Rio de Janeiro (que parece que gostam dos gaúchos).

20.Fala um pouco da tua experiência como jurado, estás preparado para críticas?
Sempre estive preparado para críticas, porém, não vindas de pessoas sem moral ou com interesses escusos. E, além do mais, o que gosto de fazer mesmo é tocar com meus amigos e parceiros, ao invés de estar submetido a uma imensa carga negativa(que, normalmente se recebe, sendo jurado).

21.O que pensas sobre a realização de festivais fechados, achas que seria possível fazer um festival apenas de música nativista instrumental, que pensas sobre isso?
Sobre os festivais fechados, não sou a favor, pois pode prevalecer apenas uma minoria. Os festivais abertos, com triagem e variação de júris, permitem que pessoas de novas gerações possam alcançar seu espaço. Quanto a festivais de música instrumental, acho que seria muito importante que ocorressem. Existe um apenas, que o SEIVAL DA POESIA GAÚCHA, em São Lourenço, que possui uma modalidade de música instrumental.

22.Como é a sua relação com os outros músicos de SC e RS?
É ótima... em todas as áreas e todos os estilos. Graças a Deus, não tenho inimigos, principalmente no meio musical.

23.Como é para ti saber que sua música ganha fronteiras além do RS?
É bastante importante, visto que, apesar do regionalismo dos temas abordados, ainda se consegue um pouco do caráter universal necessário a qualquer obra para ser compreendida além fronteiras.

24.Como lida com o assédio que vem naturalmente como resposta ao trabalho que desenvolve? Como é tua relação com os fãs e com os novos músicos?
Olha, realmente eu não muita bola a essas coisas. Atendo todas as pessoas que me procuram da mesma forma carinhosa e imparcial.

25.Viver de música : utopia ou realidade?
Realidade complicada, porém, possível. Teríamos apenas, que ser mais unidos em nossa classe.

26.Qual é a melhor coisa do ambiente dos palcos, dos festivais, rodeios...?
A comunhão sincera da arte. É a única coisa que me interessa.

28.Como vês a divulgação que é feita das músicas em geral, dos festivais? Rádios, gravadoras?
Muito falha. Hoje, o meio dos festivais é cada vez mais restrito ao próprio meio. É uma pena, pois dos festivais, saem trabalhos maravilhosos que mereciam ganhar o respeito da população.

29.Em linhas gerais como avalia a tua imagem e responsabilidade sendo uma pessoa pública e voz para sentimentos de muitas pessoas?
Eu somente espero passar às pessoas minha verdadeira imagem. Simplesmente ser visto como um testemunho de minha época.

31.A ânsia andarilha faz parte desse mundo festivaleiro, que pensas sobre isso; estar sempre na estrada? Como fica o coração nesse caminho? A família?
É bastante complicado. Isso também foi uma das coisas que me fizeram repensar sobre a estrada o tempo inteiro.

32.Acreditas que a música feita hoje sobreviverá à voracidade e volatilidade do mundo de hoje, resistindo e sendo lembrada daqui a algum tempo?
Não faço a menor idéia. Isso, somente o tempo poderá dizer. E a história tem mostrado que esse processo é realmente implacável. Quem merece, fica!

33.Que times torces, comidas, bebidas?
Glória do desporto nacional... INTERNACIONAL. Não bebo nada que contenha álcool e não fumo. Comido é somente para matar a fome.

34.O que te faz sentir de alma lavada?
Muitas coisas... minha família é a principal, a outra é a música.

35.O que te faz sentir-se mal?!
Pessoas mesquinhas, vaidosas e prepotentes.

36.Fala um pouquinho da tua vida fora dos palcos? Fala um pouco da arte de lecionar, da importância dessa vivência de sala de aula? Como você está vendo essa juventude acadêmica que está se formando agora?!
É a outra grande realização da minha vida, outra coisa que me complementa: dar aula. Eu adoro o ambiente com pessoas jovens e cheias de vida e sonhos. Porém, acho a juventude acadêmica um pouco mal preparada (reflexo do ensino em nosso país).

37.Planos pro futuro?
Ver meus filhos crescerem sadios.

38.Mensagem para as pessoas que admiram seu trabalho?
Muito obrigado, do fundo do coração.

39.Sua relação com a internet?
É ótima. Acho que foi um dos grandes inventos do século passado.

40.Acreditas na federalização do estados brasileiros?
Olha, na verdade, mesmo... eu acredito no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

41.Pra ti como é encarar as grandes polêmicas que assolam o nativismo, as disputas de poder, as rixas nos Ctgs, discussão do que é bom e do que é ruim e como avalia a nova geração de músicos e compositores que vêm por aí?
Essas disputas são altamente prejudiciais a nosso meio. Esse é um dos grandes fatores que nos relegam a um sub-plano artístico-musical.
Sobre os novos compositores, acho uma geração maravilhosa que vem surgindo aí. Sempre costumo dizer que essa renovação pode fazer e faz a grande diferença musical de nossos tempos.

42.Como vês a relação da música nativista com as rusgas das entidades tradicionalistas ?
Acho que isso reflete muita vaidade, soberba e maldade. Rótulos e censuras são marcas de ódio e segregação.